março 21, 2010

Por onde anda meu coração?

Em cada andar de minh'alma há um sonho inacabado...
Querendo encontrar um horizonte esquecido...
Um limite nunca avistado, guiado por meu amor intuído...

Por onde anda meu coração?
Enquanto navega meu ser,
Em última instância,
A procura amor?...

Pelos campos da imaginação,  entre as árvores e ao alvorecer,
Sob o medo do desconhecido, meu amor é flecha lançada e partida.
É o medo da solidão que me faz tão esquecida...
Assim sou ar noturno e frio, que corre à beira do rio
desligada do tempo e continuamente ferida...

Componho-me de resistência e morte. 
Diante do desejo, dispo-me de razão e sou loucura,
 Uma ponte estendida entre o passado e o hoje, eu sou futuro...
Não quero entender coisa alguma,  
Só cobrir-me de paixão em sua doçura... 

fevereiro 24, 2010

Sobre o Tempo e o Amor

Quisera eu saber o quanto faço parte desta atemporalidade,
Por que ainda não percebo as flores às margens desta estrada,
E a luz da tarde me cerca de inquietude sobre minhas ansiedades,
Não há começo nem fim, só uma longa e contínua via desenhada….
Circunstâncias, uma palavra, qualquer gesto que me faça dormir
Sentir-me em plena segurança, e desperta outra vez à vida.
Cada dia é um elo mais fraco ou mais forte que me faz sentir
A continuidade de ser impulso que respira a brisa… Sou desperta, sou luz da meia noite, sem entender da vida a sua brevidade…
Declaro-me, assim sem tempo… Por não entendê-lo em sua continuidade
Mas por ser alma simples, que navega sem rumo no espaço e nesta via…
Não desisto de entendê-lo em cada vão milímetro entre o céu e o meu cansaço…
Talvez eu tome esta passagem como minha ponte
Para saber que não existo separadamente, sou apenas luz, água da fonte…
E que o que eu sinto não é somente meu, mas de muitos,
E que todo impulso é transformador sem condição de liberdade,
Que não sou força separada mas uniforme,
Projetando amor, num ideal de vida sensível, eterna e conjugada…

dezembro 30, 2009

O que não sei dizer sobre o amor

Oram minhas mãos ao seu encontro
Correndo pelas ruas segurando a dor de amar
O balanço do vento é tempo sentido
Lembranças acendem a sede de o desejar
Sou a folha que seca ao sol sem reclamar
E sem rumo, sem medo, sem direção
Cai bailando, perdendo-se na brisa torpe
Tudo é sereno na escura noite da paixão
E eu o que sei? O que não sei?
A não ser te amar?
Oram minhas mãos ao seu encontro
Correndo pelas noites frias descobrindo o amor
Em meus pensamentos há nuvens em corações
Fecho os olhos e flutuo pelo ar
Como canção pairando sem partitura para pousar
Sou a criança livre sem medo de arriscar
Nada sei, e tudo perde-se em meio ao vão
Porque meu coração é frágil
E a vida me parece simples
E o que eu sei não suporta
O lado obscuro da fuga da solidão
E sou mais feliz sem falsas ilusões
E o que não sei dizer sobre o amor
É ausente em mim se não te amar...

outubro 24, 2009

Que eu tenha tempo...

Que eu sempre possa fazer uma prece
quando não tiver mais forças para
mergulhar em lagos profundos de solidão e amor...
Que eu tenha sempre mãos
para segurar a dor que se assenta
cortante em meu peito...
Que minhas aquisições sejam
perenes de ternos sentimentos...
Que minhas paixões componham meu diário
e se façam poemas perfeitos...
Que Deus seja sempre a minha melhor crença,
pelo bem maior que dele emana
e meu espírito alimenta...
Que meu amor nunca seja ignorado
e confundido com as falhas do tempo,
tornando-se esquecimento...
Que cada sorriso. que de minha alma escoe,
tenha a pressa sincera de conhecer
outro ainda mais feliz...
Que toda saudade seja o socorro de minha angústia,
e me dê oportunidade
de ser eterna aprendiz...
Que a cada perda eu possa confiar no futuro
e aceite sem medidas
o que a vida me ensina...
Que eu posssa ter sempre palavras doces e gentis
pois o amanhã é uma árvore renovada da qual
oferece frutos do que eu mais plantei...
Que eu tenha tempo suficiente para olhar o futuro,
fazer dele meu melhor escudo, e em dias incertos,
talvez tristes, mas por todo amor que sempre tive,
seja meu lar mais feliz e mais seguro...

julho 26, 2009

O Segredo do Amor

O segredo do amor
Oculto em nossas almas,
Vigia nossos passos
Consciente de que nem o vazio,
O impedirá de sê-lo...
Ele perdoa inocentemente,
Enquanto silencia o corpo
Numa penitência ardente,
Enclausurada no desejo...
Ferido pela distância
Esconde-se na espera
E espreita a angústia,
Numa insustentável
Condição de entrega...
Porque aceita e escolhe
A simplicidade de reconhecer-se
Essência divina dividida
De um único ser...

março 09, 2009

Por que não tenho asas para voar?

Por que no anfiteatro desta carência,
arrebata-me esta cena,
em escura e torpe câmera?
Onde adormeceu minha inocência?
Por que meu amor silencia
no esquecimento de seu caminho,
quando em imagens breves me trazem seu ícone,
que em sombra escura me acaricia?
Por que não tenho, agora, asas,
nem companhia para voltar?
Por que a estrada carregou-se de moinhos,
e fez-me folha solta sem bagagem para levar?
Por que Deus, por quê?
Por que a sombra agora é jogo,
o conceito não tem moral,
o hábito fez-se engodo
e o prazer da liberdade, vício tal?
Por que a solidão não é uma carta mal escrita,
que se possa arremessá-la ao longe,
sem migalhas de perdão?
Por que meu caminho não é tão breve,
quanto ao cair da noite fria,
para que eu pudesse qual uma flor
secar ao ser colhida?
E espraiar, no céu, leve e fluída,
ao ver perdido, no mar, meu coração?
Por que a vida é um sonho?
E nele tem tanta solidão?
Por quê?
...

janeiro 19, 2009

São elas, as criancinhas, o amor e o luto de um presente abortado...

São elas, as criancinhas, as lamentações
pelo estigma de morrerem todos os dias...
Representam a perda do que fomos,
e do que um dia esperávamos ser...
A dor do luto sobre uma infância enclausurada,
em abusos, luxúrias, egoísmos e explorações...
Devaneios de uma guerra ignorante, e por quais razões?
Por um pedaço de chão...
Pelas migalhas do seu pão...
Pela mídia desinteressada...
Pela falsa moral...
Pelos governos corrompidos...
Eis a calamidade de uma nação...
A crença parida no ventre da morte é, agora, violência e mutilação...
De que forma consolaremos as crianças que restarem desta triste condenação?
Das que ainda correm nuas pelas ruas, fugindo...
Tais quais rosas cálidas de Hiroshima,
Sem rumos, sem corações, sem braços, pernas ou mãos?
E aos que descerraram seus olhos na fumaça da morte que trouxe a degradação?
Em algum momento de suas vidas,
Fora, o amor, o único vínculo desejado pelos braços de suas mães,
mesmo estando rotos e calejados...
Em algum momento de suas vidas,
Fora, a morte, na angústia, o medo mais cruel,
entre os destroços do luto indesejado...
São elas as criancinhas,
o amor e o luto de um presente abortado...
Pelo egocentrismo de quem se acha isento
de viver esta vida sem dor e sem tormentos,
Mas, apenas, com os notáveis discursos ensaiados,
alimentando irônicas políticas falidas,
tornando-se hostis e perigosos a cada dia...
Alimentando o ódio e a opulência,
Em tempos de desamor...

dezembro 27, 2008

O amor não é um engano

O amor não é um engano,
Não vivo, na piedade, a sua transição.
Não, nunca serei vítima da paixão!
Minha fidelidade amorosa,
Fruto de pura imaginação?
Não, sou verdadeiramente
A clave de sol, início de um prelúdio,
Momento mágico da canção...

Sou aquela que não se vê
Nas ruas em passos tristes
Quando ama...
Nem mesmo a delicada palavra
Que foi sucumbida,
‘Est ce que subsiste, jamais cést oublié...'
Nunca há dias contados,
Nem espaço para saudades reprimidas,

Não, o amor não é um engano
É magia delirante que vibra
Em minha voz com sorrisos
De lábios beijados...
E em olhares cúmplices,
Infintamente desejados,
Que cegam na convicção de sua loucura.

Não, o amor não é um engano,
Não choro as suas lágrimas
Mas, se assim o for...
Meu cúmplice haverá de enxugá-las
Com a mais pura ternura...
O amor, não é um engano
É transição, é paixão, prelúdio,
magia, beijo e desejo...
O mistério dos encantos
Em seus subterfúgios,
Obscuro em toda alma
Que carrega a sua chama...

dezembro 24, 2008

Abraça-me...

>Vem,
Abraça-me, faz nosso círculo em mil voltas

E transforma o silêncio em música
Nesse momento de criação...
Vem,

Espalda teus braços longos de amor sobre o meu céu,
E escurece a tarde em noite breve...
Enquanto me beijas

Vem,

Acaricia meus cabelos com tuas mãos suaves
E emoldura meu rosto com tua paixão...

Porque só tu ocultas o meu vazio sob esse véu...
Vem,

Seduz minha alma à luz dessa ilusão...
Não vês que pulsa meu coração em teu compasso,
Enquanto te tenho em breve espaço de tempo?


Vem,

Que a noite termina e meu corpo chora tua perda...
Agora que nos encontramos e torpes nos perdemos
Lembra do caminho...
E vem ...




Isabela